terça-feira, 21 de julho de 2020

A grande fome - Rodrigo da Silva

A história deste poster remete a 1958.

Enquanto o Brasil faturava sua primeira Copa do Mundo, Mao Tsé-Tung instituía o Grande Salto Adiante, um programa de governo que tinha a pretensão de transformar a China numa nação desenvolvida acelerando a coletivização do campo.

Saca só:

Uma das primeiras ações foi a Campanha das Quatro Pragas, que consistia em eliminar os inimigos da produtividade do campo: ratos, moscas, mosquitos e pardais - esses últimos, segundo Pequim, capazes de comer, cada um (e de roubar dos camponeses) quatro quilos de comida por ano.

Em pouco tempo, chineses das mais remotas cidades passaram a usar tudo o que tinham à disposição para matar os animais.

A luta contra os pardais foi a mais intensa. A conta oficial era tentadora: cada milhão de pardais mortos representava comida suficiente para 60 mil pessoas.

Ninhos foram derrubados, ovos quebrados, filhotes assassinados.

Mobilizados, adultos e crianças batiam panelas para assustar os pássaros, fazendo com que inúmeros pardais morressem de exaustão. Quando a tática não funcionava, chineses simplesmente atiravam para onde enxergassem.

 

O plano não funcionou.

Em 1960, cientistas descobriram que a dieta dos pardais era composta por 3/4 de insetos e apenas 1/4 de grãos. Como não havia pardais disponíveis, o número de gafanhotos aumentou drasticamente. As colheitas começaram a diminuir, em vez de aumentar.

Pra conter a tragédia, Mao chegou a importar 250 mil pardais da União Soviética.

Era tarde demais.

Em questão de meses, 1 bilhão de pássaros morreram, enchendo o campo de insetos.

O resultado do experimento foi um capítulo da História conhecido como Grande Fome Chinesa.

Entre 1958 e 1961, graças às políticas desastrosas do Partido Comunista Chinês, 45 milhões de chineses morreram de fome.

Essa aqui é a curva global de mortes entre 1950 a 2017.

Essa ponta completamente solta na virada para os anos 1960 é a Grande Fome Chinesa.

Em míseros três anos, antes mesmo do Brasil faturar seu segundo caneco em Copas do Mundo, Mao Tsé-Tung havia entrado para a História.

A estupidez de suas ideias políticas, somada à sua completa indiferença à natureza humana, o transformaram no maior genocida do século vinte.



segunda-feira, 22 de junho de 2020

Crítica descabida - MARCOS LISBOA

Crítica descabida - MARCOS LISBOA
FOLHA DE SP - 21/06

Banalizando a banalidade do mal

Em 1999, o prefeito de Nova York tentou impedir o Museu do Brooklyn de realizar exposição com obras polêmicas, incluindo uma que ofendia a sensibilidade religiosa de cristãos.

O museu não cedeu, e o prefeito cortou as verbas concedidas pelo município. Floyd Abrams liderou a defesa do museu perante a corte federal. O resultado foi uma vitória acachapante.

O governo não tem o direito de censurar trabalhos que considere moralmente impróprios ou que agridam à religiosidade. Nenhuma autoridade pode determinar o que seria aceitável em temas de opinião. As verbas para o museu deveriam ser integralmente preservadas.

Tão importante quanto a defesa feita por Abrams foi o que ele se recusou a fazer. Antes do julgamento, ele tomou conhecimento de um trecho do diário de Goebbels, que assumira a gestão da cultura em razão de uma exposição que desagradara a Hitler:

"Caso os vienenses contestem, todos os subsídios do Reich serão cortados. Isso, claro, significa a morte da vida cultural de Viena".

Abrams pensou mencioná-lo como exemplo de censura exercida pelo autoritário de plantão. Concluiu, porém, que a analogia com o prefeito seria obviamente falsa em razão das circunstâncias e prejudicaria a defesa do museu.

Na última semana, Mansueto Almeida anunciou sua saída da Secretaria do Tesouro. Alguns aproveitaram para criticá-lo por ter aceitado trabalhar neste governo e resgataram uma expressão de Hannah Arendt: a banalidade do mal.

Arendt, porém, utilizou-a ao escrever sobre o julgamento de Eichmann, o burocrata anódino que organizara o transporte de judeus para campos de concentração.

Podemos repudiar as manifestações do presidente, mas não a democracia que o elegeu. Muitos de nós jamais cogitariam trabalhar neste governo. Outros agem de forma diferente para cuidar da coisa pública. Tema de opinião, não de legalidade.

Mansueto é um servidor público cioso do seu ofício e aberto ao contraditório. Sua serenidade e meticulosidade têm sido essenciais para o debate sobre os dilemas da economia.

Impecavelmente, ele consegue relevar as críticas virulentas e sempre convida ao diálogo, explicando com cuidado os dados e as opções de política pública, mesmo que na contramão do discurso oficial.

O Tesouro Nacional tem alertado sobre problemas que outros prefeririam ignorar. Não há notícia de artifícios contábeis que escondam da sociedade a gravidade das contas públicas, ao contrário do que ocorreu em gestão passada. A cada um o seu quinhão pelos atos que pratica.

A liberdade de expressão deve proteger até mesmo a crítica descabida. O único risco é tornar seus porta-vozes comparáveis ao governo que desprezam.

domingo, 21 de junho de 2020

5 Lições Que Harry Potter Me Ensinou Sobre Liberdade. De Daniel José.


Um dos fatos de minha vida é que até iniciar meus estudos no Insper minha bagagem cultural não era muito grande: lembro quando um colega de sala me perguntou o que eu tinha achado do “último filme do Tarantino” e eu  não fazia ideia do que ele estava falando.

Porém, ao longo da minha infância, tive aoportunidade de ler os livros da saga Harry Potter, com os quais aprendi valiosas lições e que, de alguma forma, contribuíram para moldar o que penso sobre liderança e liberdade.

Afinal, apesar de reconfortante, a história desse mundo mágico, às vezes, não cumpre o objetivo de servir como válvula de escape. Muitos dos ensinamentos presentes na obra de J.K Rowling devem-se ao fato de estes serem provenientes de situações que se assemelham à vida real.

Como grande fã, enquanto organizava meus livros durante a quarentena, senti imensa saudade da saga ao revê-los na estante. Por esse motivo, agora, compartilho com vocês 5 lições que Harry Potter me ensinou sobre liberdade.

[Uma das leis da internet é que após mais de uma década de fim da saga não é spoiler, mas para quem não desfrutou ainda da obra, aqui vai o aviso: o texto contém algumas exposições da narrativa].


1)  O valor da igualdade sob a Lei

Na terceira obra, o grande vilão da vez anunciado é Sirius Black. No decorrer dos capítulos, porém, descobrimos sua inocência e simpatizamos com ele, ao ponto de, ao final da quinta obra haver um pouco de suor nos nossos olhos diante do que acontece com ele.

Mas, talvez uma das minhas primeiras compreensões a respeito dos pilares do direito criminal veio daí: os princípios da ampla defesa e contraditório, do devido processo legal, da presunção de inocência… tudo isso foi arbitrariamente negado a Sirius Black. Dessa forma, o personagem passou 12 anos na cadeia por um crime que não cometeu.

Assim como o padrinho, Harry também sofre pela falta de tratamento igualitário sob a Lei no quinto livro, quando vai a julgamento por um ato de legítima defesa. O horário de sua sessão é modificado sem aviso prévio para dificultar que seu advogado não consiga comparecer. Além disso, o discurso do Juiz mostra o absurdo de o réu ser o responsável pela apresentação de provas quanto à sua inocência, e não o contrário.

Lembro de ter raiva ao ler essas páginas, algo natural diante de injustiças. E, nesse sentido, tanto no tribunal quanto em outras ocasiões ao longo da trama, somos alertados sobre a influência de grupos de interesse dentro do governo pela autora e da importância de imparcialidade, isonomia e integridade na administração pública.

2) O perigo da doutrinação ideológica nas escolas

Para controlar o conteúdo ministrado em sala de aula, o primeiro-ministro, Cornélio Fudge, determina a nomeação de Dolores Umbridge como professora de uma das matérias mais importantes em Hogwarts. De acordo com eles, tudo está sob o controle do estado e os estudantes não precisam de recursos para garantirem a própria segurança.

Mais tarde, ela se torna diretora da escola e, a partir daí, vários decretos são baixados, cerceando as liberdades individuais dos alunos. Descobri mais tarde que algumas dessas medidas se assemelharam ao Macarthismo e também às medidas impostas no Brasil durante a ditadura militar: Umbridge, por exemplo, criou o Esquadrão Inquisitorial, cuja função era fiscalizar e denunciar o mau comportamento de colegas.

No entanto, não é possível evitar tragédias com narrativas ideológicas ou negando dados e evidências. Assim, a saga de Harry Potter ensina sobre a importância de um governo limitado, da liberdade de pensamento e da educação em prover os insumos necessários ao exercício da cidadania.

PS: embora reconheça que há problema de viés ideológico no ensino brasileiro, não creio que este seja o maior problema, e não sou a favor do Escola Sem Partido. Comentei já nesta entrevista no Pânico.

3) A importância da liberdade de imprensa

A partir do quinto livro, vemos o Ministério da Magia manipulando a opinião pública, por meio do Profeta Diário, o jornal de maior circulação na sociedade bruxa do Reino Unido. Inclusive, o próprio primeiro-ministro lança mão de sua influência para negar a existência de um perigo iminente, a fim de manter-se no poder.

Consequentemente, há demonstrações civis de apoio a Fudge e ataques diretos a Dumbledore e Harry, fomentados pela narrativa do governo.

Já no último ano, quando o regime assume suas tendências mais autoritárias, veículos de comunicação alternativos, como o Pasquim, são censurados. Durante a guerra que se inicia, estações de rádio clandestinas tornam-se a única fonte confiável de notícias. 

Em suma, esses fatos demonstram como a liberdade de imprensa é a pedra angular da democracia.

4) A necessidade de combater o preconceito

Muito além de bruxos e animais fantásticos, o mundo da saga contém outras inúmeras criaturas racionais, dotadas de capacidades idênticas a dos humanos, com ou sem poderes mágicos. Mas, a despeito de suas semelhanças, alguns grupos minoritários são explorados, devido às suas diferenças físicas.

Diante dessa realidade, em seu quarto ano em Hogwarts, Hermione cria A Frente de Libertação dos Elfos Domésticos, que trabalhavam como escravos, inclusive, na escola. Essa é uma importante lição, pois, para ter sua causa reconhecida, ela precisa enfrentar os próprios amigos, que encaram a situação com conivência, argumentando que isso faz parte da sociedade mágica há anos. E, serve como exemplo de determinação no combate ao preconceito.

O cerceamento de direitos aos Elfos já havia sido retratado no segundo livro, quando Harry ajuda um deles a escapar de seu senhor. Todavia, apenas dois anos depois, a autora decidiu expor como esse preconceito era enraizado nas Instituições. Ou seja, não se tratava de um caso isolado, assim como acontece na vida real aqui no Brasil.

Em suma, o próprio vilão, Voldemort, e todos os seus seguidores difundem a ideia de pureza racial, que exclui também bruxos nascidos de pais comuns, denominados “sangues-ruins”. E, a importância do combate a essa corrente é exposta várias vezes ao longo da série.

5) As características de um verdadeiro líder

Quando todas as Instituições começam a ruir devido à infiltração de membros aliados a Voldemort, cujo intuito é assumir o controle sobre a sociedade civil bruxa, Harry toma a frente do treinamento dos jovens combatentes, criando a Armada de Dumbledore. Afinal, o momento era oportuno e havia a necessidade de que alguém assumisse esse papel.

A lição aprendida: um verdadeiro líder não espera que tarefas lhe sejam delegadas.

Entretanto, apesar de ser o herói da história, outras personagens também demonstram comportamentos protagonistas ao longo do tempo. Um exemplo foi Hermione, que atua como liderança na caça às horcruxes – artefatos que precisavam ser destruídos para que eles vencessem a guerra. Ou seja: trabalho em equipe! Algo, inclusive, muito presente desde o primeiro livro da obra.

Da ficção à vida real, a liberdade é o sustentáculo da evolução humana

É claro que a possibilidade de resolver vários problemas com uma varinha mágica ajuda muito, mas, grande parte do triunfo do bem contra Voldemort deve-se à cooperação e à organização de vários agentes e diferentes personagens nesse sentido.

Por fim, à medida que os três amigos adquiriam mais conhecimentos sobre magia, mais responsabilidades eram incumbidas a eles com o passar dos livros. Assim também funciona a liberdade. Afinal, não é possível ser livre, sem ser responsável pelas consequências de seus atos.

Se Harry Potter me rendeu algumas horas de distração em meio ao caos da pandemia, na minha infância e adolescência me proporcionou algumas lições sobre liberdade e liderança, pelas quais sempre serei grato.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Vietnã: a guerra que matou a confiança, de Karl Marlantes

Soldados americanos assistindo helicópteros pousando como parte da Operação Pershing no Vietnã do Sul em 1967.
No início da primavera de 1967, eu estava no meio de uma discussão acalorada no corredor às duas da manhã com colegas de Yale sobre a Guerra do Vietnã. Eu era de uma pequena cidade do Oregon e já havia ingressado na Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais. Meus amigos eram principalmente de escolas preparatórias da Costa Leste. Um deles disse que Lyndon B. Johnson estava mentindo para nós sobre a guerra. Eu soltei: "Mas ... mas um presidente americano não mentiria para os americanos!" Todos caíram na gargalhada.Quando contei essa história aos meus filhos, todos começaram a rir também. É claro que os presidentes mentem. Todos os políticos mentem. Deus, pai, de que planeta você é?Antes da Guerra do Vietnã, a maioria dos americanos era como eu. Após a Guerra do Vietnã, a maioria dos americanos é como meus filhos.Os Estados Unidos não perderam apenas a guerra e a vida de 58.000 jovens homens e mulheres; O Vietnã nos mudou como país. De muitas maneiras, para pior: nos deixou cínicos e desconfiados de nossas instituições, especialmente do governo. Para muitas pessoas, corroeu a noção, uma vez quase universal, de que parte de ser americano estava servindo seu país. Mas nem tudo na guerra foi negativo. Como tenente da Marinha no Vietnã, vi como reunia jovens de diversas origens raciais e étnicas e os obrigava a confiar um no outro com suas vidas. Foi um crisol racial que desempenhou um papel enorme, se não apreciado, em levar os Estados Unidos à verdadeira integração.E, mesmo assim, enquanto o Vietnã continua a moldar nosso país, seu lugar em nossa consciência nacional está diminuindo. Cerca de 65% dos americanos têm menos de 45 anos e, portanto, são incapazes de se lembrar da guerra. Enquanto isso, nossas guerras no Iraque e Afeganistão, nosso envolvimento na Síria, nossa luta contra o terrorismo - esses conflitos estão empurrando o Vietnã para o segundo plano. Mais uma razão, portanto, para revisitarmos a guerra e suas conseqüências para hoje. Este ensaio inaugura uma nova série do The Times, Vietnã '67, que examinará como os eventos de 1967 e início de 1968 moldaram o Vietnã, a América e o mundo. Felizmente, isso gerará uma conversa renovada em torno dessa história, agora meio século atrás.O que os leitores tiram dessa conversa é outra questão. Se tudo o que fazemos é debater por que perdemos ou por que estávamos lá, perderemos a pergunta realmente importante: O que a guerra fez conosco como americanos? CINISMOO Vietnã mudou a maneira como encaramos a política. Ficamos feridos de nossos líderes que estavam na guerra: o incidente fabricado no Golfo de Tonkin, o número de "províncias pacificadas" (e o que "pacificado" significa, afinal?)), Conta o corpo inflado. As pessoas falavam da "lacuna de credibilidade" de Johnson. Era uma maneira gentil de dizer que o presidente estava mentindo. Entretanto, uma lacuna de credibilidade foi considerada incomum e ruim. No final da guerra, ainda era considerado ruim, mas não era mais incomum. Quando os políticos mentem hoje, os verificadores de fatos podem indicar o que é verdade, mas todos seguem em frente.Mudamos de ingenuidade para cinismo. Alguém poderia argumentar que eles são opostos, mas acho que não. Com a ingenuidade, você corre o risco de desilusão, e foi o que aconteceu comigo e com muitos da minha geração. O cinismo, no entanto, impede você antes de começar. Isso nos afasta do "governo", uma frase que hoje conota lamaçal burocrático. Ameaça a democracia, porque destrói o poder do povo até querer fazer mudanças.Você não termina o maior sistema de rodovias do mundo, constrói um grande número de escolas e universidades públicas, institui a Grande Sociedade, luta uma grande guerra e vai para a lua, o que fizemos na década de 1960 - simultaneamente - se você é cínico sobre governo e políticos.Eu moro perto de Seattle, dificilmente território Donald J. Trump. A maioria dos meus amigos zomba cinicamente do slogan de Trump, Make America Great Again, citando tudo o que havia de errado nos velhos tempos. Na verdade, não era o paraíso, principalmente para as minorias. Mas há alguma verdade nisso. Nós éramos maiores então. Foi a guerra - não liberalismo, nem imigração, nem globalização - que nos mudou.
CORRIDA
Em dezembro de 1968, eu estava no topo de uma colina na selva a cerca de um quilômetro da zona desmilitarizada. Um helicóptero deixou cerca de três semanas de correspondência encharcada e pacotes de cuidados amassados. Naquela pilha havia um pacote para Ray Delgado, um garoto latino-americano de 18 anos do Texas. Eu assisti Ray rasgar o embrulho de papel alumínio e, sorrindo amplamente, segurar algo para eu ver. "O que é isso?" Eu perguntei. “São tamales. Da minha mãe." "O que são tamales?" "Você quer tentar um?" ele perguntou."Certo." Eu olhei para ele, virei, enfiei na boca e comecei a mastigar. Ray e seus outros amigos hispânicos mal se continham enquanto eu brincava mastigando e pensando: "Não é de admirar que esses mexicanos tenham dentes tão bons".
Imagem Karl Marlantes em casa no Oregon, pouco antes de embarcar para o Vietnã em 1968.
Karl Marlantes em casa no Oregon, pouco antes de embarcar para o Vietnã em 1968.

  "Tenente", Ray finalmente disse. "Você tira a casca de milho."
  "Tenente", Ray finalmente disse. "Você tira a casca de milho."

Eu era de uma cidade madeireira na costa do Oregon. Eu tinha ouvido falar de tamales, mas nunca tinha visto um. Até entrar para a minha companhia de fuzileiros navais no Vietnã, eu nunca tinha conversado com um mexicano. Sim, pessoas como eu chamavam pessoas como Ray de "mexicanos", mesmo sendo tão americanas quanto torta de maçã - e tamales. A tensão racial em que cresci foram os suecos e noruegueses se enfrentando aos finlandeses todos os sábados à noite no estacionamento do lado de fora da dança no Templo do Trabalho.
O presidente Harry Truman ordenou a integração das forças armadas em 1948. Na época da Guerra do Vietnã, as raças estavam servindo juntas. Mas colocar todos nas mesmas unidades é muito diferente de fazê-los trabalhar juntos como uma unidade.Nossa memória nacional de integração é principalmente sobre as pessoas corajosas do movimento dos direitos civis. Imagine armar todos os estudantes do ensino médio de Birmingham, Alabama - brancos e pretos - com armas automáticas em um ambiente em que o uso dessas armas era tão comum quanto almoçar e todos eles usavam testosterona. Essa é a tensão racial. Durante a guerra, houve mais de 200 fragmentos nas forças armadas americanas - assassinatos realizados por granadas de fragmentação, o que impossibilitou a identificação do assassino. Quase todos os fragmentos, pelo menos quando o agressor foi pego, foram motivados racialmente.

E, no entanto, a experiência mais comum em combate foi cooperação e respeito. Se eu fosse detido pelo fogo inimigo e precisasse de um homem M-79, gritaria por Thompson, porque ele era o melhor. Eu nem pensei em que cor era Thompson.

Homens brancos tiveram que ouvir música soul e homens negros tiveram que ouvir música country. Não nos temíamos. E a experiência ficou conosco. Centenas de milhares de jovens chegaram do Vietnã com idéias diferentes sobre raça - alguns para pior, mas outros para melhor. O racismo não foi resolvido no Vietnã, mas acredito que foi onde nosso país finalmente aprendeu que seria possível para todos nós nos darmos bem.

SERVIÇO
Recentemente, eu estava em uma leitura em Fayetteville, Carolina do Norte, quando um jovem casal apareceu na mesa de autógrafos. Ele estava de pé e alto, de uniforme militar. Ela estava segurando um bebê em um braço e carregando uma criança com o outro. Ambos pareciam ter cerca de dois anos fora do ensino médio. A mulher começou a chorar. Perguntei a ela o que havia de errado e ela disse: "Meu marido vai embarcar novamente amanhã." Eu me virei para ele e disse: "Uau, sua segunda turnê?" A Guerra do Vietnã deu início ao final do rascunho e a criação do que o Pentágono chama de "militares totalmente voluntários". Mas eu não. Eu chamo de militares recrutados. Voluntários são pessoas que correm para os correios para se inscrever depois que Pearl Harbor ou o World Trade Center são bombardeados. Recrutas, bem, é mais complicado. Quando eu era criança, quase o pai ou o tio de todos os amigos haviam servido na Segunda Guerra Mundial. Todas as mulheres na cidade sabiam que um destróier era menor que um cruzador e um pelotão era menor que uma empresa, porque seus maridos haviam estado em destróieres ou em pelotões. Naquela época, era chamado "o serviço". Hoje, chamamos de "militares". Essa mudança na linguagem indica uma mudança profunda nas atitudes da república em relação às suas forças armadas. O rascunho foi injusto. Apenas machos foram convocados. E os homens que podiam se dar ao luxo de cursar a faculdade não foram convocados até o final da guerra, quando os combates haviam caído.Mas livrar-se do rascunho não resolveu a injustiça.As elites americanas abandonaram principalmente o serviço militar. Gravado nas paredes do Woolsey Hall em Yale estão os nomes de centenas de Yalies que morreram nas Guerras Mundiais I e II. Trinta e cinco morreram no Vietnã e nenhum desde então.Em vez disso, a classe trabalhadora americana tem suportado cada vez mais o fardo de mortes e baixas desde a Segunda Guerra Mundial. Em um estudo da Universidade de Memphis Law Review, Douglas Kriner e Francis Shen analisaram a diferença de baixas de renda, a diferença entre a renda média das famílias (em constantes US $ 2.000) das comunidades com as maiores baixas (os 25% mais altos) e todas as outras comunidades. A partir de quase ponto morto na Segunda Guerra Mundial, a diferença de baixas foi de US $ 5.000 na Guerra da Coréia, US $ 8.200 na Guerra do Vietnã e agora é de mais de US $ 11.000 no Iraque e Afeganistão. Em outras palavras, os três decis de renda mais baixos sofreram 50% mais baixas do que os três mais altos. Se essas desigualdades continuarem a crescer, o ressentimento crescerá com ela. Com crescente ressentimento, a já ampla divisão entre militares e civis também aumentará. É assim que as repúblicas caem, com exércitos e partes do país mais leais ao comandante do que ao país. Precisamos voltar ao espírito do recrutamento militar e como as pessoas se sentiam em relação ao serviço em seu país. A minuta militar foi vista pela maioria de nós da mesma maneira que vemos o imposto de renda. Eu não pagaria meus impostos se não houvesse a ameaça de prisão. Mas como cidadão responsável, também vejo que é necessário pagar impostos para financiar o governo - meu governo. As pessoas ainda resmungavam. Nós reclamamos de impostos. As pessoas ainda tentavam puxar as cordas para obter tarefas mais agradáveis. Mas todos serviriam. Eles trabalhariam para "o governo" e talvez comecem a vê-lo como "nosso governo". É muito mais difícil ser cínico em relação a seu país se você dedicou dois anos de sua vida, tornando-o um lugar melhor.Que as forças armadas sejam apenas uma das muitas maneiras pelas quais os jovens podem servir seu país. Com o serviço universal, um garoto de Seattle poderia compartilhar um tamale com uma garota hispânica de El Paso. Conservadores e liberais aprenderiam a trabalhar juntos por uma causa comum. Poderíamos voltar ao espírito de pessoas de diferentes raças aprendendo a trabalhar juntas em combate durante a Guerra do Vietnã. A Guerra do Vietnã continua a nos definir, mesmo que tenhamos esquecido como. Mas ainda não é tarde para lembrar e fazer algo a respeito.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Dados educação

Quer acessar dados do INEP, mas não sabe como?

Siga este fio que apresentará as principais ferramentas de disseminação dos dados e informações produzidos pelo #INEP: Censo Escolar, Censo da Educação Superior, SAEB, IDEB, Sinaes, ENEM, Enade, PISA e monitoramento do PNE. 
Antes de continuar, é preciso saber se o dado que procuras é sobre Educação Básica (Censo Escolar, SAEB, IDEB, ENEM, PISA) ou Superior (Censo da Ed. Superior, Sinaes, Enade). Depois, se o dado é sobre Brasil, grandes regiões, estados, municípios ou escolas/universidades. 
Praticamente tudo que aparecerá nessa thread se encontra nas seguintes abas da página do INEP: Dados Abertos e Publicações (vide imagem). Explorando estas duas, você terá acesso a (quase) tudo que quiser saber sobre dados, informações e pesquisas do INEP.
CENSOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR-
Os principais dados estão na Sinopse Estatística da Educação Básica e na Sinopse Estatística da Educação Superior, conjunto de tabelas com números absolutos de matrículas, docentes, turmas, instituições etc.
portal.inep.gov.br/web/guest/sino…
Caso procure documentos consolidados, que explorem graficamente os resultados do Censo Escolar ou do Censo da Educação Superior, navegue em Publicações > Estatística Educacionais. Você encontrará Notas Estatísticas, Resumos Técnicos e outras publicações.
portal.inep.gov.br/lista-de-publi…
Para o Censo da Educação Básica, caso queira algo mais rápido, há o sistema Consulta Matrícula. Ele permite que você obtenha os quantitativos de matrículas da rede pública e privada, por Grandes Regiões, UF e municípios. portal.inep.gov.br/web/guest/dado…
SISTEMA DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA-
Composto por parte censitária (Prova Brasil) e amostral (Aneb). Desde 2017, a Prova Brasil é aplicada a TODAS as escolas públicas nos 5º e 9º anos do Fundamental e 3ª série do Médio, desde que tenham pelo menos 10 alunos na série avaliada.
Antes disso, de 2005 a 2015, a Prova Brasil era apenas para escolas públicas nos 5º e 9º anos do Ensino Fundamental que tivessem pelo menos 20 alunos na série avaliada. Como a inclusão de Ciências é recente, a série histórica existe apenas para Língua Portuguesa e Matemática. 
A partir dos resultados na Prova Brasil, e das taxas de aprovação no Censo Escolar, calcula-se o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgado a cada dois anos pelo Inep, desde 2005. É possível encontrar os dados do SAEB e do IDEB de diferentes formas.
Primeiro, o Painel Educacional explora resultados nas avaliações do SAEB em nível estadual e municipal, junto com dados de contexto (obtidos pelo Censo Escolar e indicadores complementares). portal.inep.gov.br/web/guest/pain…
Segundo, o Portal IDEB por Escola apresenta detalhes sobre cada escola, separadamente. Você pode digitar o Código Inep da escola na busca. Se não souber, use as ferramentas do portal para navegar entre as escolas de um município. idebescola.inep.gov.br/ideb/consulta-…
Terceiro, há um portal antigo do IDEB que fornece resultados em nível Brasil, estados, municípios e escolas, mas sem informações adicionais. É bem simples e permite chegar diretamente no valor do IDEB. ideb.inep.gov.br
Quarto, navegando pela página do IDEB no site do Inep, você pode acessar os portais acima ou materiais complementares (Press Kit, planilhas em Excel, resumo técnico). portal.inep.gov.br/web/guest/ideb
Quinto, navegando pela página Publicações > Avaliações da Educação Básica, você terá acesso a todas as publicações e relatórios sobre SAEB e outras avaliações e exames aplicados pelo Inep, como o Relatório de 10 anos do SAEB (vide imagem).
portal.inep.gov.br/lista-de-publi…
EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO-
Como o ENEM não é pensado para ser uma avaliação do sistema educacional, há menos resultados divulgados sobre ele. Você pode ter uma noção geral do exame na Sinopse Estatística do ENEM: portal.inep.gov.br/web/guest/sino…
Na página do ENEM no portal do Inep, você encontrará uma ampla gama de informações sobre o Exame, incluindo acesso aos portais voltados aos inscritos e participantes. portal.inep.gov.br/web/guest/enem
Ou também pode usar a página Publicações > Avaliações da Educação Básica, para ter acesso aos relatórios, cartilhas e outros documentos complementares sobre o ENEM. Na imagem, uma cartilha sobre a redação. portal.inep.gov.br/lista-de-publi…
PROGRAMA INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO DE ESTUDANTES-
Responsabilidade da OCDE, então você não vai encontrar tantas coisas no site do Inep. Lá, você encontrará links para acessar os resultados na OCDE e algumas poucas publicações nacionais sobre a avaliação. portal.inep.gov.br/web/guest/pisa
De todo modo, o Inep publica um relatório nacional a cada ciclo trienal do PISA. Vale a pena dar uma olhada no Relatório do PISA 2015, uma publicação bastante rica divulgada pelo Inep há alguns anos. download.inep.gov.br/acoes_internac…
SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR-
O Sinaes abrange um conjunto de avaliações da qualidade das instituições de ensino superior. O mais essencial disto são os Indicadores de Qualidade: IDD, CPC e IGC. Para ler mais: portal.inep.gov.br/web/guest/indi…
EXAME NACIONAL DE DESEMPENHO DOS ESTUDANTES-
O Enade é um dos componentes do Sinaes e abrange avaliações de concluintes do ensino superior em ciclos trienais. Os principais resultados podem ser encontrados na Sinopse Estatística do Enade. portal.inep.gov.br/web/guest/sino…
Explore também a página Publicações > Avaliações da Educação Superior para conhecer as publicações sobre o Enade e o Sinaes. portal.inep.gov.br/lista-de-publi…
MONITORAMENTO DO PNE-
Com a promulgação do Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2014-2024, o Inep tem mantido atualizados os indicadores de acompanhamento do Plano. A cada dois anos, são publicados os (excelentes) Relatórios de Monitoramento. portal.inep.gov.br/web/guest/dado…
Anualmente são lançados os Cadernos de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais, coletânea de estudos complementares sobre o PNE. Tratam-se de análises aprofundadas sobre temas variados da Educação Básica e Superior. Confira! cadernosdeestudos.inep.gov.br/ojs3/index.php…
Caso prefira algo mais interativo, o Inep disponibiliza o Painel de Monitoramento do PNE, que te permite explorar meta a meta do Plano, bem como baixar os resultados em planilhas de Excel. portal.inep.gov.br/web/guest/dado…
INDICADORES EDUCACIONAIS-
Outros indicadores gerados pelo Inep (nível socioeconômico, formação docente, média de alunos por turma, aprovação e reprovação, remuneração média) podem ser encontrados em planilhas de Excel na seguinte página: portal.inep.gov.br/web/guest/indi…
MICRODADOS-
Todas os dados produzidos pelo Inep estão disponíveis no formato aberto. Tratam-se dos microdados, bases completas, na menor unidade de agregação, para uso estatístico. Eles permitem replicar qualquer resultado público. portal.inep.gov.br/web/guest/micr…
Curtiu? Divulgue este fio para conhecidos que usam dados do INEP. Há várias ferramentas disponíveis e é preciso ter clareza sobre o que se quer, para se saber onde encontrar. Comece respondendo: que dado eu preciso? para qual ano? em qual nível de agregação?

De Rodrigo da Silva

Faz dez anos.

Em pensar que tudo isso começou com uma bolinha de papel. E não qualquer bolinha: uma bolinha de papel dessas amassadas pra ridicularizar, tacada na careca de um sujeito só pra provocar aquele som característico das pequenas agressões humilhantes.
Ploft.
Lembro como se fosse antes de ontem. Faz uma década.
O JN chamou o Ricardo Molina pra periciar a gravação do atentado. Sete minutos de JN, uma fortuna. O Molina periciou quadro a quadro.
Por uma noite, o Brasil parou em observância ao movimento de um objeto tacado numa careca. A gente ainda levava a sério esse tipo de coisa; era um escândalo.
A gente, vírgula. Tinha quem rejeitasse: militante.
"PIG! PIG!", a blogosfera governista não se conformava. O Paulo Henrique Amorim cuspia, babava, salivava.
Já falavam em golpe nessa época. "Partido da Imprensa Golpista", diziam.
O dedo em riste denunciava a patifaria. A escalada do absurdo crescia em progressão geométrica na pré-história das redes sociais.
O Brasil parou pra discutir se era errado tacar um objeto num adversário político.
No palanque, Lula não perdoava o papel do sujeito alvo da tal bolinha de papel: "Ontem, venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido”. Era cera: "uma mentira mais grave do que a mentira daquele goleiro Rojas”.
E então, descobriram que havia mais coisas do que os militantes contavam. Hoje a gente chama de fake news. Naquele tempo o nome era mentira.
Descobriram também um rolo de fita adesiva jogado, além de quinze minutos de cotoveladas na multidão ao redor daquele homem careca.
Tacaram pedras, mastro de bandeira.
Os cinegrafistas das principais emissoras foram forçados a se afastar do tumulto. Uma repórter da Globo levou uma pedrada. O vídeo que entrou pra história teve que ser gravado num celular - e um celular há uma década tinha uma câmera pior que a da Tekpix.
Pra militância, não mudou nada. Trataram tudo como uma bolinha de papel. Fecharam os olhos, trancaram a respiração, taparam os ouvidos. Até hoje tem quem menospreze.
A verdade é que a gente nunca mais foi o mesmo depois daquele dia. Tava liberado sair da verbalização, do campo das ideias, do debate intelectual. Os adversários viraram inimigos. O monstro fugiu da jaula.
Começa com uma bolinha de papel. Termina numa facada.
E então a gente nem se lembra mais do tempo em que era possível sentar pra conversar sobre política sem querer furar os olhos de quem pensa diferente.
O Marcelo Dourado venceu o BBB naquele ano. Parece irrelevante, mas o Brasil também parou naquela final. Foram 154 milhões de votos. O Brasil não tinha 154 milhões de eleitores em 2010. Não dá pra subestimar esse fenômeno.
A raiz do bolsonarismo já estava todinha ali, esperando pacientemente para conquistar o poder. Dourado era o underdog, o anti-herói, o politicamente incorreto, o anti-BBB. Tinha uma suástica tatuada no braço. 
Seu bordão era "força e honra". “Heterossexual não pega aids”, dizia.
O jornal Extra noticiou o acontecimento:
“Favorito no Big Brother 10, Marcelo Dourado é um fenômeno também na internet. Na maior comunidade de apoio ao lutador no Orkut há quase 700 mil membros. Na página principal, Dourado foi parar no cartaz do filme “Todo poderoso” no lugar de Jim Carrey. Nas outras dezenas de comunidades, ele chega a ser chamado de mito por seus fãs.”
Isso mesmo: mito.
Dourado apareceu no palanque antagonizando um homossexual chamado Dicesar. Em pouco tempo foi acusado de homofóbico.
"Estava simplesmente no meu direito de não ficar imitando gay, de não dizer que tenho uma diva dentro de mim. Tinha o direito de dizer não. Por isso, as pessoas se identificaram comigo".
Jean Wyllys, vencedor da edição número cinco, reagiu à contenda dando nome aos bois: fascismo.
"Marcelo Dourado, ao se opor explicitamente à 'licenciosidade' dos coloridos, emergiu como o líder de caráter fascista, que satisfaz a vontade geral de ordem e segurança."
Dourado respondeu atravessado. Disse sofrer de uma nova fobia do século vinte e um.
“Se eu chamar alguém de v*ado, sou acusado de homofóbico. Agora, podem me chamar de líder fascista. Qual a diferença? Eu ser chamado de fascista passa batido. Ninguém, nem o Ministério Público veio me defender. Isso é um preconceito danado. Para mim, isso é heterofobia."
Por que ele havia vencido a edição? A resposta estava na ponta da língua:
"Falava de valores que as pessoas querem resgatar, como honra e lealdade. Muita gente não se identifica com essa idéia de homem moderno que faz tanta coisa em função da estética. Existem mulheres e homens que acham que o legal é ser mais tradicional mesmo. Homem é homem. Mulher é mulher. Existem valores perdidos. Não estou falando de opção sexual. Liberdade não é oba-oba."
Faz dez anos, uma década. A gente viu tudo isso nascer na televisão, quadro a quadro, com direito à perícia. Já estavam todos os ingredientes ali. 
Gente menosprezando agressividade política, gente reclamando de politicamente correto. Gente condenando a ascensão de um "líder de caráter fascista", gente chamando underdog de "mito".
Nunca uma bolinha de papel e um reality show disseram tantas coisas sobre o futuro de um país.

sábado, 2 de maio de 2020

Covid-19 - Samy

Por que os modelos falharam no Brasil e no mundo?
Os modelos epidemiológicos mais utilizados são os modelos compartimentais.
Dentre eles, dois mais comuns:
SIR, que contém os compartimentos Suscetível, Infectados, Removidos
SEIR Suscetível, Exposto, Infectado e Removido.

Os modelos SIR e SEIR foram utilizados inicialmente para a modelagem do COVID-19.
Suas estimativas foram muito imprecisas, errando por ordens de grandeza.
O motivo para erros tão grosseiros foi a magnitude das subnotificações (que até então era desconhecida).

O impacto das subnotificações:
- Se temos 100 indivíduos infectados detectados e 2 falecem, temos taxa de letalidade estimada de 2%.
- Se para cada infectado detectado, 19 não são detectados, temos na realidade 2000 indivíduos infectados e a taxa de letalidade real é de 0,1%.

Os modelos SIR e SEIR se agravam no Brasil pois:
- Temos muitos jovens sil
- Temos mais leitos de UTIs por habitante que Europa
A letalidade no Brasil é menor do que em diversos países da Europa
Ou seja, os modelos SIR e SEIR superestimam ainda mais o número de mortos no Brasil

 

Modelo proposto:

No Brasil temos poucos dados e estes de baixa qualidade.
Desta forma os modelos usuais de estatística e/ou ciência de dados não fornecem boas previsões.
A solução é a utilização de modelos epidemiológicos, que nasceram para modelar fenômenos de infecção.

Usamos modelo Bayesiano, adaptativo, que se baseia no número de mortos, que acreditamos ser o dado mais confiável que temos atualmente no Brasil.
O ajuste do modelo é realizado através de um algoritmo HMC (Hamiltonian Monte Carlo).

Além disso, A pirâmide etária, que influencia fortemente na taxa de letalidade do COVID-19, varia bastante ao longo das diferentes regiões do Brasil.
Outro fator importantíssimo, o número de leitos de UTI, também varia muito ao longo das diferentes regiões do Brasil.

Uma variável extremamente importante é o número de leitos de UTI disponível em cada estado, região, etc.
O grande objetivo do isolamento é fazer com que os leitos de UTI sejam capazes de atender a demanda por leitos sem serem sobrecarregados.

Etapas

Filme Sergio

Após o impacto positivo da estréia do filme #SergioNetflix queria compartilhar um pouco sobre quem realmente era #SergioVieiradeMello mas acima de tudo narrar o que realmente aconteceu depois do ataque de #Bagdad 2003. Estávamos juntos havia mais de 3 anos quando a bomba explodiu

Sergio era carioca. Amava seu país e as cores e calor da sua cidade cheia de contrastes. Seus pais viajaram pelo mundo representando o Brasil como diplomatas do #Itamaraty e, por causa da ditadura, aos 21 anos Sérgio começou muito junior sua carreira na #ONU

Eu, de flia que em 1783 instalou-se na Argentina, nos anos ‘90 aos 18 anos, dei um salto de fé para fazer estudos nos EUA, ingressei no ramo de finanças em Nova York,mas encontrei um chamado interior na sede da ONU:esperança de contribuir para melhorar a vida dos mais vulneráveis

O filme mostra-o claramente: um diplomata da ONU imensamente sensível ao sofrimento dos necessitados. Sergio e eu nos conhecemos em 1999, em uma #MissãodePaz da ONU,em um território destroçado, porém resistente, que ajudamos a tornar independente #TimorLeste

De cara nos sentimos unidos por um vínculo profundo:nos identificamos um no outro,falando a mesma língua, antecipando nossos pensamentos.Sonhávamos em voltar ao Brasil para viver em frente ao seu mar.Conhecemos nossas famílias, visitamos nossos países de origem: nossos santuários

Mas em 11/09 o mundo mudou.Depois da #GuerraDoIraque Kofi Annan,que havia nomeado Sergio para #DDHH o transferiu para missão mais perigosa:ONU com EUA no Iraque:ele enfrentou estoicamente. Eu o acompanhei não apenas como esposa,mas como economista c 7 anos de experiência na #UN

Em 19 de agosto de 2003,ocorreu o primeiro e pior ataque à ONU em toda a sua história:uma bomba,200 feridos,22 mortos.Sergio ficou preso: tentei libertá-lo–mas sem qualquer equipamento,ele padeceu após 4 horas.Uma parte de mim também permaneceria sob os escombros daquele edifício

Até hoje não consigo lembrar daquele dia e suas consequências sem tremer e sentir calafrios. Em um piscar de olhos, a vergonha por ter sido alvo de aquele ataque revelou a cara mais feia das #NacoesUnidas #ACNUDH @AnaDeArmasBR @wagnermourareal @DHumanosBrasil @smdhc @conectas

Com a desculpa de não ser formalmente "casados" e dentro "política invisibilidade" do fracasso-ONU me privou de direitos como funcionária e família.O mais interessante é que,mesmo depois que nossa união civil foi reconhecida por lei,nada mudou.Por quê?O que eles estão protegendo?

Ainda sob choque do atentado ao qual sobrevivi,de repente me vi inexplicavelmente removida das listas de  http://sobreviventes.Al ém do estresse póstraumático da explosão e da morte de Sergio e amigos,tive que lidar com o desumano abandono absoluto da mesmaONU que nos havia enviado

Porque acima há geopolítica:durante #GuerradoIraque,real rivalidade era entre Bush/Chirac.Originalmente do lado EUA,Annan se aproximou dos franceses depois que o ataque àONU iniciou chamados pela sua demissão.Uma tentativa d ultima hora para c reposicionar do #ladocertodahistória

A sobrevivência de Annan significava mudar de lado para a posição de Chirac.O preço?O caixão de Sergio foi enviado para a França enquanto eu fui silenciada.Friedman“Ahistória vai registrar queFrança escolheu Saddam https: //www.nytimes.com/2003/12/18/opinion/moment-of-truth.html

Compreensivelmente,o filme #Sergio não iria lidar com esses problemas. Mas estes anos foram muito difíceis: voltei ao Brasil (pátria de Sergio que me reconhece como sua viúva)e à Argentina e comecei a reconstruir minha vida. Gilda, mãe de Sergio, cuidou de mim em sua casa no Rio

Amigos como @NobelPrize @JoseRamosHorta1,ex-diretor do COI Michael Payne,o leal #TimorLeste, cujo país eu ajudei a construir, Gilda,me ajudaram a voltar à vida. Encontrei um novo emprego, uma nova casa e fundei o Centro @sergiovieirade8 no Brasil:não foi fácil, mas eu perseverei

Nunca pensei que a burocracia da #ONU, que sempre proclama aderir aos padrões mais altos que nosso mundo deve aspirar, defendendo os direitos dos mais vulneráveis, abandonaria seus próprios @justicaglobal @CorteIDH @fifdh_en #wagnermoura #AnaDeArmas @NetflixBrasil @PortuguesnaONU

Poderia-se pensar que, como jovem viúva e vítima do terror, encontraria alguma simpatia. Pelo contrario, a ONU me negou ajuda quando eu mais precisava, encaminhando-me em um emaranhado burocrático onde eles são ambos juiz e parte interessada.

Um caminho ingrato aguarda aqueles que ousam litigar por seus direitos perante a ONU. Eu continuo lutando:por mim e pelos sobreviventes.Sergio foi uma pessoa importantissima na história da ONU;deixou um legado de compromisso com aqueles que sofrem em conflitos que assolam omundo

Uma vez ele me disse“Vamos com confiança.O resto chega por conta própria”Então aqui estou. Eu precisava escrever essas linhas para lembrá-lo,mas também para transmitir mensagem nestes tempos difíceis d #COVID19 que estão nos desafiando, e compartilhar sua força e amor p continuar


You

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